Raquel Soares

Poliamor

Me chamo Raquel Soares da Silva, nasci em 1983 em brasília filha mais nova de três filhos dentro do casamento padrão, sem contar os outros três irmãos das escapadas extraconjugais do meu pai e famílias por fora. Em um casamento até então, tradicional e comum dos anos 80 católica, tive uma criação pautadas em todas estruturas patriarcais, com salva guarda do meu pai que era um tanto liberal e me criou sem muita sexagem, eu pude fazer exatamente tudo que meus irmãos faziam, e ele era o maior incentivador.


Durante toda minha adolescência eu nunca entendia por que as meninas queriam casar, ter filhos e já ficavam atrás nos meninos ,enquanto eu só pensava em fazer 18 anos para tirar minha carteira de motorista, estudar inglês e talvez explorar uma viagem ao redor do mundo se preciso fosse, sozinha mesmo. Nunca acreditei na monogamia, ainda mais vendo a mãe sendo a esposa fie, dona de casa, um fardo de perfeccionismos exagerado ao papel de mãe enquanto meu pai, certamente estaria se aventurando, decidi cedo o que não queria para mim, talvez eu ainda não soubesse o que eu por falta de referência ,porém, o que eu NÃO queria, isso já estava claro, a monogamia não era para mim.


Minha primeira relação amorosa aos 23 anos durou 11 anos aonde eu ainda conheci um outro amor que vivi simultaneamente, eu e ela 6 anos ( ainda tem a bissexualidade), casadas sem inteirações entre nós com o marido da outra, feito tudo de forma consensual eles sabendo. Assim que, mais tarde que fui descobrir que eu era esse negócio” POLIAMORISTA”, uma pessoa capaz de amar, manter relacionamentos de afeto, sexo, acordos de forma simultânea. Íamos fazendo isso de forma tão espontânea que foi um choque mais tarde quando busquei ajuda nas terapias, ou lia algo que era tratado como uma perversão, enquanto cansava de ver amigas, colegas traindo os seus maridos, e eles a ela, era errado e eu deveria escolher só uma pessoa, quando na verdade, eu apenas era uma pessoa poliafetiva e não monogâmica e já achava natural.


Tive sorte também em ter tido uma parceira que brigava como eu pelo feminismo e pela sua autonomia afetiva sexual longe dos parceiros, e nós nunca cedemos a qualquer tipo de acordo das quais nós duas e nossos corpos fossemos subjugadas até mesmo pelos nossos parceiros por conta da nossa sexualidade, e por isso mantínhamos tudo em separado, sem ménage ou qualquer gracinha com nossas parceiras que a ferisse, há não ser que nós duas quisemos primeiramente, não nos víamos obrigadas a satisfazer desejos masculinos algum.


Assim, na vanguarda do movimento que está hoje em pauta, mas que ainda é marginal, eu busquei me formar, especializar, pesquisar o máximo possível para auxiliar principalmente pessoas e mulheres que como eu, que não se encaixam em qualquer padrão de sexualidades e relacionamentos patriarcas e monogâmicos e que também não aceitam que ditem regras sobre suas liberdades de como querem se relacionar, amar, ou nas suas famílias, e que querem destruir o patriarcado dentro de sí mesmas para um mundo melhor.


Encontre-a no instagram: @poliamoremais

Raquel Soares