Euphoria



Euphoria é uma série de televisão americana de drama adolescente criada por Sam Levinson, baseada na minissérie israelense de mesmo nome, de 2012, dos roteiristas Ron Leshem, Daphna Levin e Tmira Yardeni. Transmitida na plataforma HBO Max, atualmente se encaminha para o final da segunda temporada.


Já vou abrindo essa resenha afirmando categoricamente: eu amo essa série! Mas reconheço que Euphoria pode agradar muito ou desagradar muito. Até hoje não ouvi ninguém dizendo que gostou mais ou menos. É daquele tipo de série ame ou não dê play. A série aborda as experiências pessoais de um grupo de adolescentes do ensino médio em relação a drogas, amizades, traumas, sexo, bullying, aceitação, inseguranças e sexualidade.


Sempre achei que a sociedade americana vive em uma bolha, onde os problemas são latentes, porém todo mundo finge que não os vê. Euphoria veio para escancarar tudo de podre que envolve jovens de classe média, bem como as relações e problemas que carrega a geração anterior, seus pais.


A grande estrela da séria é a onipresente Zendaya de 25 anos. Posso afirmar que Zendaya está simplesmente magnífica. A nova queridinha de Hollywood deixa de lado o glamour e cria uma Rue Bennett densa, perdida e afundada em si mesmo. Além de protagonizar a série (embora eu ache que não seja um protagonismo absoluto, pois fica bem claro que várias personagens têm sua relevância na série) ela também é a produtora executiva da segunda temporada. Aliás, nada mais nada menos que Drake é um dos produtores executivos da série.


Posso adiantar que Rue traz uma complexidade gigantesca. Certamente você vai amá-la e cinco minutos depois você vai odiá-la. E em seguida sentir pena e logo depois rir com ela. Zendaya mostra toda sua versatilidade para encarnar essa personagem tão densa, frequentemente beirando o fundo do poço.


Embora Zendaya seja um caso a parte, na minha opinião a série é arrebatada pela atuação de Hunter Schafer como Jules. Jules é descolada, lança moda de cabelo, maquiagem e roupas, além de ser linda e meiga ao mesmo tempo. Mas não se iluda… todas as personagens carregam um forte lado dramático e Jules não escapa de suas questões psicológicas até bem pesadinhas (se falar mais dou spoiler).


Além das duas acima, temos excelentes surpresas tais como Jacob Elordi (de Barraca do Beijo), Eric Dane (Grey’s Anatomy), Barbie Ferreira (atriz de origem brasileira que já armou quiproquó nos bastidores da segunda temporada igual ao da Camila Queiroz em Verdades Secretas), Sydney Sweeney e Alexa Demie (que fazem o papel de Cassie e Maddy respectivamente, duas autênticas jovens americanas e rainhas do nails arts).

Vendo o último episódio lançado cheguei à conclusão do melhor adjetivo para Euphoria: uma série visceral. Sim a série é bem pesada. Muito carregada em drogas, depressões, sexo e muita busca por autoconhecimento por parte de praticamente todas as personagens (até dos pais). Chego a achar que a série tem mais nus masculinos que femininos. Tudo é escancarado, tudo é mostrado. Talvez por essas razões possa ser muito controversa para alguns.


A direção artística é impecável. Muitas cenas são retratadas de maneira quase onírica, que te envolvem e te conduzem perfeitamente ao estado emocional das personagens. Não são poucas as vezes que a série tem passagens muito divertidas (mais na primeira temporada), pois são situações tão esdrúxulas que a perfeita direção permite que mesmo retratando algo grave ou pesado, tudo seja feito com a real intenção de que o espectador caia no riso naquele momento. Como o Ashtray se tornou Ashtray é uma cena impagável…


No interstício de um ano entre a primeira e segunda temporadas foram lançados dois episódios isolados de Euphoria, sendo um com a Rue e outro com a Jules. Ambos de alta densidade psicológica, pois basicamente mostram uma longa e muito profunda conversa entre dois personagens.


Com a presença de Drake na produção executiva você pode imaginar o nível de qualidade da trilha sonora, certo? Pois é, mas eu te garanto que mesmo assim a trilha sonora vai ultrapassar suas expectativas. Confesso que eu assisto a série com meu Shazam do lado e passo o tempo todo buscando as pérolas que me são apresentadas. O repertório engloba todos os gêneros e agrada a todos. Do Rap ao R&B dos anos 60/70, do jazz ao Rock. Muito top!


Em resumo, Euphoria é uma série necessária nos dias de hoje e deve ser assistida com a mente aberta. Prepare-se para viajar na montanha-russa das histórias de cada personagem.


Prepare-se para ver drogas, álcool, estupro, incesto, violência contra mulher, prostituição, depressão, recuperação e uma realidade nua e crua do cotidiano atual americano. É uma viagem intensa e muito necessária para entendermos os tempos atuais, os jovens e seus dramas cada vez mais pesados e as gerações mais antigas que erram tentando acertar e acertam tentando errar. É o retrato de uma geração esmagada por culpas, cercada por críticas em redes sociais, completamente perdida em sua autocrítica. Isso tudo os leva a um agigantamento dos seus problemas, causando uma profunda depressão ainda alimentada pela série de confrontos com seu próprio ser e uma pseudo-pressão que a sociedade os impõe.

Matéria de Mauricio Coelho para a coluna Filmes & Séries

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