Liberte-se do peso de memórias que ainda doem
- flaviasantosalbuquerque
- 10 de out.
- 4 min de leitura
Algumas lembranças chegam de mansinho, como cenas de um filme antigo: suaves, quase sem impacto. Outras, no entanto, parecem ter o poder de nos prender no tempo, trazendo de volta emoções e sensações que gostaríamos de deixar para trás.
Muitas mulheres carregam essas marcas silenciosamente — situações de perda, relações abusivas, traumas de infância ou momentos de estresse intenso — sem perceber o quanto isso influencia suas decisões, relacionamentos e até a forma como enxergam a si mesmas.
No consultório, é comum ouvir frases como:
“Eu achei que já tinha superado isso.”
“Não entendo por que ainda sinto medo quando lembro daquele dia.”
“Meu corpo reage antes mesmo de eu perceber.”
Essas reações não são fraqueza, nem sinal de que você “não conseguiu seguir em frente”. Elas fazem parte da forma como nosso cérebro armazena experiências marcantes — especialmente quando vividas sob forte carga emocional. E é justamente aí que entra um método que vem transformando vidas ao redor do mundo: a Terapia de Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares, ou simplesmente EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing).
O que é o EMDR e como ele funciona?
Criado na década de 80 e amplamente estudado pela neurociência, o EMDR é uma abordagem psicoterapêutica integrativa, que pode ser realizada concomitantemente com outras abordagens, como Psicanálise, Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), Terapia Sistêmica, entre outras.
Essa técnica estimula os dois hemisférios do cérebro por meio de movimentos oculares, sons alternados ou toques leves nas mãos. O processo é conduzido por um terapeuta treinado, que guia a paciente para acessar memórias difíceis de forma segura e controlada. Enquanto a lembrança é revivida no campo mental, os estímulos bilaterais ajudam o cérebro a “reprocessar” essa memória, reduzindo sua carga emocional.
Na prática, isso significa que você não “apaga” o que aconteceu, mas muda a forma como aquilo é sentido. Uma lembrança que antes provocava ansiedade, insônia ou até sintomas físicos passa a ser lembrada com neutralidade e sem sofrimento intenso.
Fases da Terapia EMDR
O EMDR segue um protocolo estruturado que geralmente envolve oito fases, desde a história clínica e preparação até a dessensibilização, reprocessamento e fechamento seguro da sessão. Tudo acontece com acompanhamento cuidadoso, garantindo acolhimento e segurança.
Benefícios que vão além do trauma
Embora tenha sido inicialmente desenvolvida para tratar Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), hoje o EMDR é utilizado para diversos desafios emocionais:
Ansiedade e crises de pânico
Fobias específicas (como medo de dirigir, voar ou lugares fechados)
Luto e perdas
Bloqueios emocionais
Baixa autoestima e autossabotagem
Traumas de infância
Experiências em catástrofes ambientais ou grandes acidentes coletivos, como enchentes, desabamentos ou até tragédias como a explosão das Torres Gêmeas
Um dos grandes diferenciais é que, muitas vezes, os avanços são percebidos em poucas sessões. Isso ocorre porque a técnica atua diretamente nos circuitos cerebrais ligados à memória e à emoção, evitando que a pessoa precise “reviver” a história repetidas vezes.
Por que tantas mulheres estão buscando essa abordagem?
Vivemos em uma época em que saúde mental deixou de ser tabu. As redes sociais abriram espaço para conversas mais honestas sobre traumas, vulnerabilidades e autocuidado. A cada dia, mais mulheres compreendem que não precisam carregar sozinhas o peso do que viveram.
O EMDR se encaixa perfeitamente nesse movimento porque oferece:
Resultados perceptíveis em menos tempo
Segurança e acolhimento durante o processo
Possibilidade de trabalhar memórias que a paciente prefere não detalhar verbalmente
Uma sensação de liberdade emocional que impacta não apenas a mente, mas também o corpo
Histórias que inspiram (e até os famosos aprovam!)
O impacto do EMDR é tão significativo que até celebridades internacionais falaram publicamente sobre seus benefícios.
Sandra Bullock, por exemplo, revelou ter recorrido ao EMDR para lidar com o estresse pós-traumático após uma invasão domiciliar. Em entrevistas e no programa Red Table Talk, ela contou como a técnica a ajudou a reduzir a sensação de insegurança e a reconhecer padrões nocivos em seus relacionamentos.
O Príncipe Harry também relatou ter usado EMDR para lidar com traumas relacionados à perda da mãe e à exposição pública intensa.
Outros nomes, como Paris Jackson, também compartilharam experiências positivas com a abordagem.
Esses relatos reforçam algo importante: não se trata de “moda”, mas de uma terapia baseada em evidências científicas, validada por especialistas e adotada por pessoas do mundo todo.
Um passo para uma vida mais leve
Gosto de comparar a mente a um grande arquivo. Algumas pastas estão bem organizadas, mas outras ficam sobrecarregadas e difíceis de abrir sem causar dor. O EMDR ajuda a reorganizar esses arquivos, colocando cada memória no seu devido lugar, para que ela deixe de interferir no presente.
Não significa esquecer ou negar o passado. Pelo contrário: trata-se de integrá-lo à sua história, mas sem permitir que ele defina quem você é hoje ou dite como você deve viver amanhã.
Uma conversa de coração para coração
Agora, quero te fazer um convite simples, mas poderoso.
Feche os olhos por um instante e respire fundo.
Pergunte a si mesma:
O que ainda está pesando na minha história?
O que eu gostaria de soltar para viver de forma mais plena?
Talvez você não tenha todas as respostas agora, mas permita-se refletir. O simples ato de olhar para dentro já é um gesto de coragem.
Lembre-se: você não precisa enfrentar tudo sozinha. Há caminhos, técnicas e pessoas prontas para caminhar ao seu lado.
Com carinho,
Dra. Silvana Lins
Fundadora da Clínica Saúde e Longevidade
Encontre-a no Instagram: @drasilvanalins










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