New York, Minha Casa



NY, New York é uma cidade mágica. Sou paulista de coração, sou do mundo por opção. Adoro minha cidade natal, mas por aqui tudo é livre. Você não é censurado, julgado, olhado de lado. Vale usar um par de cada tênis de cada cor. Vale misturar roxo com laranja, amarelo com verde e tá tudo bem. Se você fizer isso você é fashion, e pode vir a ser um influenciador de estilo.


A cidade tem de tudo e de todos, não tem preconceito, não tem regras, não tem rótulos. Aqui você é o que é. Não precisa colocar roupa diferente porque vai ao teatro. Já fui ao teatro, com as minhas melhores roupas e me deparei com pessoas de havaianas. Sim, havaianas!!! Aqui tudo pode. Aliás as queridinhas sandálias de tirinhas brasileiras são famosas por aqui. Aprendi a usar a minha com a bandeirinha do Brasil com muito orgulho.

Bom, a cidade que nunca dorme fala mais de 88 línguas. É comum achar brasileiros atravessando a rua, comprando nas lojas mais famosas e nos restaurantes.


Manhattan tem seus encantos. Nesse momento, pós-pandemia, onde tudo quer voltar ao normal parece que as pessoas estão mais amáveis. O mundo está mais solidário. Nova iorquino não é reconhecido como os melhores anfitriões, são mais secos que o povo do norte, por exemplo.

“A cidade tem de tudo e de todos, não tem preconceito, não tem regras, não tem rótulos.”

Andar por um lugar onde não é a sua cidade natal, não o mesmo idioma, lhe dá a sensação de estar todos os dias viajando, mesmo que você more na esquina e saia pra comprar o seu pão no outro quarteirão. Delícias à parte, New York tem o melhor “bagel”. Um pãozinho parecido com um donuts, mas bem mais massudo. Uma combinação perfeita com creme cheese e um café.


Aprendi que aqui tudo tem seu lugar. Quem lava, não passa. Quem passa não cozinha e assim vai, mas, nós brasileiros somos conhecidos como mão de obra qualificada, somos apreciados pois aprendemos desde cedo a cozinhar, lavar e passar literalmente.


Comecei como todo mundo começa, ajudando um outro brasileiro, que então se sente importante e te explora. Isso não é comigo, são com todos. Depois vem as fofocas. Também inevitável dentro da comunidade onde você se encaixa. Sabia que João mudou de emprego? Sabia que Maria foi mandada embora? E assim vai. Na primeira fofoca, percebi que o fato não era o que havia acontecido e me afastei. Hoje meus amigos são bons e conservadores americanos.


São mais sérios, sem muita piada no seu dia a dia, mas não repassam, não comentam e muitas vezes o que acontece bem debaixo do seu nariz passa desapercebido.


Já me fizeram essa pergunta e eu já me fiz essa pergunta, mil vezes…Será que eu volto? Não, não volto mais. Aqui é minha casa e meu país. O Brasil que eu tanto amo, será para as minhas férias.


Matéria de Ana Anselmo para a coluna Bolsa de viagem

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