A queda do Romantismo

Uma das maiores barreiras para que possamos falar sobre o Poliamor e as pessoas entenderem os conceitos do amor plural, é a invenção canônica do romantismo. Esse amor romântico que conhecemos hoje vêm com um dispositivo social da monogamia, fidelidade, santidade e entrelaçadas a uma ideia sobre relacionamentos que a igreja criou para o homem e a mulher, neles incluso não ter prazer sexual, o sexo no casamento para muitos ainda é lido apenas para procriação.

O amor cortês, que surgiu na Era medieval com todas as ideias sobre heroísmo, cavalheirismo…Onde a aristocracia foi desenhada por nobres e suas senhoras, os jovens cavalheiros que ascendiam e eram novos ricos, cortejavam as damas e criou-se um modelo para que as mulheres pudessem ser desejadas, cortejadas dentro das idealizações desses homens, merecedoras do seu amor desinteressado e devoto. O amor cortês, vindo dos novos ricos, junto com a ideia sacra de matrimonio da igreja, criou uma versão nova dos casamentos antes atreladas a ideia de obrigações da nobreza, aonde as donzelas se casavam para atender aos negócios das famílias, e os novos ricos com cortejos, galanteios, conquistavam suas donzelas através de um amor desinteressado.


“Diante da historicidade, temos um contexto no qual a mulher seria sempre uma moeda de troca”

Diante da historicidade, temos um contexto no qual a mulher seria sempre uma moeda de troca, onde os homens podiam ascender utilizando-as como status, o que ainda perdura até hoje, muitas mulheres ainda acham que serem assumidas, casarem-se, terem filhos, é um grande passo para poderem serem bem-vistas diante da sociedade, não como uma mulher, mas sim como a mulher de algum homem.

O maior problema dessa construção de papel de gêneros, é que para além das ideias sobre o amor, vêm também o controle sobre o corpo, sexo, vontades e desejos da mulher. Para além de uma troca, os homens não precisam mais serem devotos a elas, aprenderam a amar as suas conquistas, e não aprenderam a amar a mulher em todas suas formas e papéis possíveis e sim a usá-las para continuar obtendo seus espaços de sucesso e prazer.

O poliamor, além da quebra do modelo cortês, mostra para as mulheres que ainda se desenham dentro de uma relação como um objeto para que o homem possa ascender, e ter seus desejos bloqueados. Até os dias de hoje, ela ainda busca ser amada, desejada, escolhida, e a falar da quebra desse amor cortês que sempre serviu a vontade e status masculinos, ainda delicado.

O poliamor alavanca a ideia que nem mesmo existe uma família funcional válida para criar uma sociedade saudável, a família canônica e tradicional faliu em tempos das intersecções  sexuais, e liberdade, porém muitas mulheres ainda se mantém aprisionadas a ideia de um amor cortês.

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