O desejo que desaparece: 5 traumas que bloqueiam a libido feminina
- flaviasantosalbuquerque
- 23 de jan.
- 2 min de leitura

Querida leitora, hoje vou tocar num ponto que pode doer, mas que é necessário falar…
Quando a libido diminui, muitas mulheres pensam que “o problema é elas”. Que é algo hormonal, preguiça, falta de interesse ou até falha pessoal. Mas a verdade é bem mais sensível e muito mais humana.A libido não some do nada. Ela se esconde quando o corpo não se sente seguro.
E existem traumas que silenciam o desejo de formas tão sutis que às vezes nem percebemos. Hoje quero trazer luz para cinco tipos de trauma que vejo todos os dias no meu consultório, e que podem estar afetando profundamente a sua relação com o prazer.
1. Trauma sexualPode ser uma experiência invasiva, um toque indesejado, uma relação dolorosa, uma situação em que você não conseguiu dizer “não”. O corpo registra isso como ameaça e cria barreiras de proteção. A libido não desliga porque você é fria, ela desliga porque seu corpo tenta te manter segura.
2. Trauma relacionalHumilhação, rejeição, críticas ao corpo, relações instáveis, abandono emocional. Esses golpes vão minando sua capacidade de confiar e relaxar. E sem segurança afetiva, o prazer fica comprimido. O corpo se fecha para não ser ferido de novo.
3. Trauma corporalQuando você foi ensinada a ter vergonha do corpo, a esconder suas curvas, a se comparar ou a se calar sobre suas sensações, o corpo vira território estranho. E é impossível acessar o prazer em um corpo do qual você se distanciou.
4. Trauma emocionalCrescer engolindo choro, cuidando de todos, sem espaço para sentir. Viver em alerta, responsável por tudo, sem pedir ajuda. Esse acúmulo trava o sistema nervoso, porque um corpo exausto não consegue sentir desejo, só sobrevivência.
5. Trauma transgeracionalHistórias não ditas, violências silenciadas, padrões de submissão que passam de mãe para filha. Memórias que não são suas, mas vivem em você. Isso molda a forma como você enxerga seu corpo, seu prazer e até o direito de sentir.
Fez sentido algum (ou alguns) desses traumas para você?
Mas aqui está algo importante: trauma não é sentença. Ele é uma experiência congelada no corpo e, tudo o que é congelado pode, com tempo e cuidado, voltar a se mover. Quando você começa a reconhecer essas camadas de dor, algo dentro de você se reorganiza. Você se reencontra, recobra espaço interno e cria condições reais para que o desejo floresça novamente.
A cura começa na escuta. Escutar o corpo, escutar suas emoções, escutar aquilo que você aprendeu a empurrar para longe. E conforme você vai construindo essa presença amorosa consigo mesma, a libido não volta por pressão, volta por confiança. Porque um corpo que se sente acolhido volta, naturalmente, a desejar.
Querida leitora, nada disso é culpa sua. Mas é responsabilidade sua olhar para essas feridas com coragem e delicadeza, e minha, como terapeuta, para te dar a mão nessa caminhada.
O desejo não desaparece. Ele apenas se esconde quando está machucado.E com consciência, cuidado e reconexão, ele pode voltar. Sempre pode.
Com carinho, Lu
Lu Terra para a coluna Terapia Sexual
Encontre-a no Instagram: @luterra.terapeutasexual










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