Matéria de capa: Antonia Leite Barbosa



Por Cris Coelho


Antonia Leite Barbosa é uma mulher especial. Sempre soube que ela tinha um brilho, algo que a diferenciava no mercado de mulheres maravilhosas que habitam esta parte do globo terrestre chamada Rio de Janeiro.


Escutei seu nome quando conheci um portal de dicas intitulado Agenda Carioca, pelo qual várias amigas minhas estavam se guiando para encontrar as melhoras opções de programas. Tempos depois, encontrei o Agendinha Carioca, e lá estava eu de novo, servindo-me de todo o conteúdo útil que Antonia havia selecionado em um espaço valioso para mães, em especial as de primeira viagem, como era o meu caso.


O tempo passou, e “as agendas”, minha e da Antonia, não mais coincidiram. Até que, ano passado, fui convidada por uma grande amiga a integrar o seleto grupo da "MatildeBoudoir" e, de novo, cruzei com ela. Na verdade, esse grupo é um dos vários grupos idealizados pela Antonia, sendo esse em especial um grupo que aborda a sexualidade feminina, com debates e confidências picantes. Por esta razão, Antonia reforça o cuidado com a entrada das participantes e, solicita a assinatura de um contrato de confidencialidade de cada participante escolhida para fazer parte do grupo.


Antonia foi receptiva e carinhosa, bem no estilo de uma “dama da sociedade”:aquela que não é exagerada nem esfuziante, apenas elegante e gentil. Percebi, logo de cara, que ela exercia uma liderança natural no grupo, como se tudo que escrevesse fosse registrado com extrema atenção pelas demais mulheres.


Aos poucos, fui conhecendo um pouco do seu universo mais íntimo, em um misto de confidências de uma amiga íntima e desabafos em uma sessão de terapia. Entendi um pouco da dinâmica dessa mulher, que é acessível em um nível difícil de encontrar.


Sinto verdade em suas palavras e consigo me conectar com ela nas poucas oportunidades em que ensaiamos trabalhar juntas. Admiro seu lado social e dinâmico, seu lado mãe, seu lado sexy, seu lado político. Admiro a mulher Antonia por todo o conjunto da obra, por ser empoderada no sentido vivo da palavra e por acolher com verdadeira sororidade quem se aproxima de sua luz.


Ao buscar fotos de Antonia na internet para compor esta matéria, eu me deparei com um sorriso doce em um semblante que sugere uma mulher quase ingênua, no sentido mais otimista da palavra. Em contraponto, ingênua não é um adjetivo que eu usaria para Antônia; diria que de ingênua ela só tem o sorriso, pois uma mulher com tamanha ambição para mudar o mundo de tantas outras mulheres que a seguem só pode mesmo ser muito esperta!

Candidata ao cargo de deputada federal pelo Cidadania na Federação PSDB-Cidadania (PSDB/CIDADANIA), Antonia encontra nos filhos, Felipe e Lucas, o maior apoio para seguir em frente com seus vários ideais. Aliás, percebo neles a maior fonte de inspiração para fazer do mundo um lugar melhor.


Ela é assim: carismática, sensível, forte, determinada. Não tem medo de desafios e consegue trazer a leveza do seu sorriso para tudo o que faz, transformando a vida de muita gente ao seu redor em uma dimensão mais descomplicada – ou, pelo menos, mais harmoniosa.


Não sei dizer se a Antonia vai vencer essas eleições, mas posso afirmar que o universo guarda coisas grandiosas para essa mulher. Ela veio com o propósito de transformar a vida das pessoas para algo significativamente melhor; seja através das reflexões que traz em seus grupos de mulheres; seja através das valiosas dicas; seja através de atos concretos à frente de um papel político; seja, por fim, através de seu olhar cuidadoso a respeito do próximo – mais especificamente, da “próxima”.


E quem é essa próxima?


Todas nós, que somos ousadas, provocantes e livres; todas nós que seguimos a Antonia.


Senhoras e senhores, com vocês:

Antonia Leite Barbosa.



MS: Antonia, como surgiu a ideia de criar as plataformas Agenda Carioca e Agendinha Carioca? Você ainda atua nelas?


[Antonia] Em primeiro lugar, do meu amor pelo Rio. O embrião da Agenda Carioca surgiu do meu primeiro projeto em parceria com duas amigas, quando ainda estava na faculdade. Montamos uma revista moderna, autêntica e com referências internacionais, o que não existia no Rio. A revista Geração – Agenda Carioca foi publicada por dois anos e depois virou um suplemento do Jornal do Brasil, o que me rendeu o convite para assinar uma coluna semanal na revista Domingo, na qual por oito anos dei dicas e conteúdos sobre a cidade. Um tempo depois, em uma viagem, tive acesso a um guia bem intimista de Roma, que trazia dicas menos óbvias e ilustrava com fotografias quem estava por trás dos estabelecimentos – humanizando muito essa relação. Fiquei com essa ideia de projeto gráfico na cabeça e, em 2006, idealizei a Agenda Carioca com esse espírito de dividir o meu dia a dia, que vai muito além do roteiro básico turístico. Meus amigos brincam que fui uma “influenciadora analógica”. A Agendinha Carioca foi uma consequência e surgiu logo depois de que me tornei mãe. Os dois projetos seguem firmes e fortes no ambiente digital, com site, redes sociais, grupos de troca no Facebook e no WhatsApp e programa de rádio na JB FM.

 


MS: O grupo de WhatsApp Matildes Boudoir foi desenvolvido com o propósito de ser um facilitador para troca de experiências no universo erótico feminino, certo? Depois de um ano, como você avalia a experiência do grupo?


[Antonia] Sim, exatamente. A ideia é que todas as integrantes se sintam acolhidas e confortáveis para conversar e trocar experiências. Sexo, entre mulheres, costuma ser um “não tema”. A gente faz, mas não fala abertamente sobre isso. Não compartilha nada. Somos um país onde quase metade da população feminina não se masturba, o que me faz pensar que fomos criadas em uma cultura na qual acreditamos que não temos direito ao prazer. E, de fato, muitas mulheres passam a vida sem conseguir ter um orgasmo.


Para criarmos uma rede de confiança em que as mulheres se sentissem mais seguras para tratar de temas sensíveis, foi importante criar um termo de confidencialidade, condição para ingresso no grupo.


Trocamos dicas de filmes, livros, massagens e falamos abertamente sobre libido, tratamentos ginecológicos, fetiches, pompoarismo, acessórios, menopausa, temas relacionados ao universo íntimo. Ampliei muito o meu repertório.


MS: A maternidade foi um marco decisivo na sua história de vida. Você chegou a desenvolver um projeto para dividir com seu público este momento – Projeto Cegonha. Como você avalia a sua relação com seus filhos, Felipe e Lucas?


[Antonia] O nascimento do Felipe, primogênito, também pariu um outro filho, a Agendinha Carioca, um guia voltado para dicas infantis. Quando pensei em ter o segundo, eu me lembrei das angústias e da solidão que senti em vários momentos como marinheira de primeira viagem e tive muita vontade de compartilhar um diário da minha gravidez. O projeto cegonha narrou on-line todos os dias da minha gestação, desde o momento em que fiz o teste de farmácia, até a volta da maternidade. Teria continuado escrevendo se a vida não tivesse me surpreendido com a morte repentina do meu pai quando o Lucas tinha apenas dois meses de vida. Foi uma guinada muito triste viver um dos momentos mais plenos e felizes da vida de uma mulher e ter aquele momento “sequestrado” por um luto tão doloroso. O que me faz voltar à sua pergunta sobre os filhos: temos uma relação de muito amor e respeito. Tento todos os dias dar o meu melhor para eles. E me preocupo muito em criar filhos não machistas. Que tenham empatia. Também insisto que brincadeira não tem gênero. Meus meninos tiveram brinquedos como fogão e panelinha, boneco, tábua de passar, patins (único garoto na turma). Não sei dizer se tive a sorte de ter filhos homens ou se eles que tiveram a sorte de ter uma mãe cada dia mais feminista. (risos) Nessa equação, acredito que nós três saímos ganhando.



MS: Recentemente, você passou por uma separação. Como você está lidando com esse momento da sua vida?


[Antonia] Todos os finais de ciclos trazem dores, mas, principalmente, muito aprendizado e resiliência. Me separar do pai dos meus filhos, com quem passei 1/3 da minha vida, foi a maior tristeza que senti em toda a minha vida. Por uma infeliz (ou feliz) coincidência, tínhamos vendido nosso apartamento e tive que me mudar. Viver essa separação, encontrar um novo teto e cuidar do emocional em meio a uma campanha política tão desafiadora está sendo a minha maior prova de força e superação em 44 anos. Acredito que a lição que vai ficar de tudo isso é o quanto consegui transformar toda essa energia em potência para ir atrás dos meus sonhos e ideais.



MS: Você está lançando a sua candidatura como deputada federal. Quais são os seus compromissos de campanha?


[Antonia] Os meus compromissos estão em sintonia com tudo o que vivi até agora: o empoderamento feminino, o empreendedorismo e o Rio de Janeiro.

 

Nós somos mais da metade da população brasileira, mas representamos apenas 15% do Congresso Nacional. Essa realidade se reflete na falta de prioridade de ações e programas específicos para melhorar a vida das mulheres no seu dia a dia, no trabalho, na saúde e no combate a todo tipo de violência.

 

Eu sempre fui uma empreendedora e sei o quanto é difícil manter o próprio negócio. Então, é inegável que essa pauta me toque. Nos últimos anos, empreender tem sido a única saída para muitos que não conseguem ingressar no mercado de trabalho formal – e, principalmente, para aqueles que empreendem por necessidade. Entre os maiores desafios, estão a necessidade de capacitação, o acesso a crédito e a desburocratização dos processos.

 

O nosso estado tem uma forte vocação para turismo, entretenimento, eventos e cultura. O que falta é potencializar esforços para essas áreas, gerando empregos e movimentando a economia local.


MS: Você fala muito sobre sororidade. O que significa esse conceito para você e qual a importância dele para a nossa sociedade?


[Antonia] O termo “sororidade” soa muito bonito nas revistas femininas, mas na prática as coisas são mais complicadas. As divergências, tensões e violências de mulheres contra mulheres são o que nos impedem de conquistar o mundo!


Venho trabalhando muito no conceito de irmandade no sentido mais amplo. Em 2009, criei o coletivo feminino Matildes, que hoje conta com a participação de cerca de 800 mulheres. Precisamos praticar o acolhimento, a empatia, o não julgar, a solidariedade e, principalmente, a união para reivindicar pautas que temos em comum. Entender a força que temos tanto individual quanto coletivamente e buscar para nossa sociedade condições que sejam mais justas para todas.