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Na potência da pele



“O mais profundo e a pele!” Paul Valéry

Minha pele e bico do peito se arrepiam de novo.

Um arrepio que sobe da ponta do meu pé, passando por minhas coxas e chegando à nuca.

Meus lábios vibram e minha boca se enche de saliva.

Nossa, faz quanto tempo desde a última vez? Não lembro, mas sei que ainda tá em mim o cheiro do teu suor e peso do teu corpo nu em cima do meu.


O tempo lá fora está frio, úmido e com cheiro de grama molhada.

Pego uma garrafa de vinho já aberta na geladeira.

Sento no chão gelado com as pernas entreabertas e meus joelhos se tocam suavemente.

Já é madrugada, não consigo fechar os olhos sem voltar aquela transa de corpos violentos, corpos que pulsam de tanto sentir.


Sorriso, pau, voz, conversas, música não sei mais qual foi a ordem de me ver envolvida e entregue aquele corpo firme de braços fortes e olhos que me despia ao me ver falar.

Involuntários gemidos macios saem de meus pulmões e garganta, meus quadris gemem derretendo no chão já suado do meu prazer.

Lembrando de tudo aquilo que era proibido, mas eu … só queria mais.

Sabia que era demais para mim, aquela liberdade toda, aquela vida cheia de curvas, noites em camas e chãos diferentes.


Aquilo me enlouquecia, fascinava, mas não era meu mundo, sabia que não sustentaria por muito tempo sem me apaixonar e sofrer no final da história.

Mas ele me instiga o desejo de ousar, de me permitir.

Me ensinou a ser livre, livre com meu corpo, pensamentos, livre com meu peito nu e minhas ideias revolucionárias.


Me toco, toco minha vulva lembrando de como ele passava a língua igualmente a um beijo molhado pingando saliva pelas minhas coxas.

Suas mãos seguravam firmes minha bunda, cintura me agarrando como se eu nunca mais pudesse sair daquele lugar, prendendo meus punhos em uma corda que tinha achado na calçada.


Minha mão continuava enfiada entre as pernas, amando dançar por cima de meu clitóris.

Naquele momento de novo, lembro da delícia de ser mulher, sabia exatamente como era meu corpo, sabia onde caminhar com seus dedos molhados mapeando cada pedaço de prazer.


Não queria ele ali, mas queria que ele soubesse de tudo que ainda gera em meu corpo, queria que ouvisse meus sussurros e gritos de prazer.


Demoro aqui, como uma música longa sem pressa para acabar.

Me perguntava onde queria que ele me chupasse, como eu queria que me comesse, deixando que eu comandasse aquela poesia e putaria toda.

Penso e me encharco…


Me vejo no reflexo do espelho na parede em minha frente, num flertar erótico no ondular do meu corpo quase nu, coberto apenas por uma calcinha pequena de renda colocada para o lado, em uma camiseta velha transparente que está altura está toda suada.


Assim, sinto meu orgasmo chegando contraindo e relaxando meu corpo mordendo forte meus lábios quase os deixando sangrar, me envolvo aquela pequena transe aproveitando cada segundo meu cio de liberdade.


Gabriela Prux para a coluna Papo de Bordel

Encontre-a no Instagram: @gabiprux


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