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Paredes finas

Havia uma cena que rondava aquele apartamento há alguns meses.

Ritual entre um casal passional que misturava ritos entre o amor e o mais profundo desejo carnal, quase como um pacto entre eles, ao que me parece não conseguiriam viver de outra forma, senão aquela.

A parede da minha sala é grudada à parede da sala deles, como todos os apartamentos antigos do centro de São Paulo, ruídos, barulhos, vozes se confundem entre as paredes finas.

As noites frias de inverno entre o casal se misturam entre risadas, gemidos e muitas outras palavras que excitam qualquer alma gelada. 

Assim viviam eles, uma ciranda entre o profano e a vida real.


Em uma noite fria dessas, sai para comprar um vinho.

Quando voltei não tão tarde, percebi que a noite seria longa, barulho de taças, risadas e conversas.


Casal bonito, cara de modernos, que pela liberdade de horários não tinham filhos e nem compromisso com o trabalho fixo.

Me mudei fugindo do barulho que rondava em mim, mas o barulho que vinha de fora me acendia uma curiosidade nunca vivida.


Uma taça quebrou.

Um grito alto, mistura de dor com gemido.

Peguei meu vinho e escorreguei meu corpo no chão.

Escutei uma terceira voz, voz meio rouca feminina.

Naquela noite senti vontade de compartilhar meu voyeurismo com mais alguém.

Liguei pro Antônio e Vera, casal de amigos que eu guardava um desejo reprimido.

Os dois toparam, sem saber das minhas intenções.

Estamos os três na sala, já indo para a segunda garrafa de vinho, quando um silêncio pesado nos ameaça...

Os gritos e gemidos do apartamento ao lado nos ascendeu.

Senti a respiração dos três encurtar, desassossegando nossos corpos.

Não tinha como fingir, a curiosidade nos tomou. Sorrimos e nos permitimos ao deleite de apenas ouvir e imaginar aquela delícia toda.

Nessa hora meu vestido curto já tinha subido e minhas pernas estavam por cima das coxas grossas de Vera, sua mão escorregava lentamente até minhas calcinhas ao mesmo tempo que os gemidos iam aumentando.

Antônio estava imóvel, seus olhos nem piscavam, observando o corpo de sua namorada. Seu pau crescia sem nenhum constrangimento, estava ali pulsante, vivo.

Palavras de êxtase ecoavam pelas minhas paredes.

Enquanto eu ainda tímida, começo a chupar meus próprios dedos, louca para enfiar na vulva de Vera. 


Com um sorriso safado, pergunto a ele: Posso?


Pode, mas se eu puder comer as duas! Pode?


Aquela era minha primeira vez mergulhada em um buceta vermelha. Quente. Úmida.

Nossas bucetas estavam coladas uma na outra, sem quase dar espaço pro pau do Antônio entrar.

Ele teve que nos separar com força, puxando meus cabelos para entrar na nossa selvageria.

Tive que segurar meu gozo algumas vezes, a mistura dos nossos gemidos com os gemidos e gritos do outro apartamento, pareciam efeito de uma droga em meu corpo.

Não podia gozar, queria segurar aquela putaria toda em cada parte de mim.

Queria mais de Vera, mais de Antônio e mais de quem possa estar nos ouvindo.

Chão escorregadio, uma poça de suor se fez ali.

Minha boca pingava saliva, minha língua dançava pelos corpos dos dois, bocas, ouvidos, nucas, coxas, tudo... como dizia Cazuza.

Possivelmente deve ter vivido esta cena algumas vezes por ter tanta poesia em suas vísceras. 


Uma outra taça quebra... me trazendo a segundos de lucidez, que logo me fugida ao sentir a língua molhada de Vera lambendo minha barriga.


Antônio dessa vez ficou ali, parado, imóvel, assistindo o espetáculo acontecer de camarote, segurando violentamente seu pau.

Enquanto nós duas nos enroscávamos juntas lambuzando seu corpo todo com nossos fluidos.

Ele gozou sozinho, distribuindo sua porra em minha boca e na dela, enquanto ainda nos beijamos lento. Lambemos tudo até não sobrar nada.


Eu e ela nos descobrimos naquela noite, transamos até mudar o barulho da rua. Moraríamos no corpo uma da outra.


E agora o barulho do silêncio nos ensurdece, 

Naquela manhã de garoa fina nasci outra mulher 

Engolida pelo desejo de ser devorada mais uma vez por aqueles corpos.


Gabriela Prux para a coluna Papo de Bordel

Encontre-a no Instagram: @gabiprux


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