O desejo feminino não funciona como o masculino — e isso é uma boa notícia
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Querida leitora, talvez você já tenha se perguntado por que o desejo feminino parece ter um ritmo tão diferente do masculino. A resposta não está em “falta de vontade”, “problema hormonal” ou “bloqueio emocional”. Muitas vezes, está simplesmente na forma como o corpo da mulher foi biologicamente desenhado para sentir prazer.
Então, vamos começar desmontando um mito que acompanha muitas mulheres silenciosamente: a ideia de que o desejo deveria aparecer de forma rápida, intensa e espontânea, como muitas vezes acontece com os homens.
Quando isso não acontece, algumas mulheres passam a acreditar que há algo errado com elas. Mas a verdade é que o corpo feminino possui um ritmo fisiológico diferente de excitação e desejo. E compreender isso pode trazer muito mais gentileza para a forma como você olha para si mesma.
No corpo masculino, o processo fisiológico da excitação costuma ser mais direto e rápido. Quando há estímulo visual, mental ou físico, o sistema nervoso envia sinais que aumentam o fluxo sanguíneo para o pênis, provocando a ereção. Esse processo costuma acontecer de forma relativamente linear: estímulo, excitação, orgasmo e depois uma fase de recuperação.
Essa sequência faz parte do que os estudos da sexualidade chamam de ciclo da resposta sexual, que envolve quatro etapas principais: excitação, platô, orgasmo e resolução.
No caso masculino, muitas vezes o desejo aparece primeiro. Ou seja, surge a vontade sexual e, logo em seguida, o corpo responde fisiologicamente. No corpo feminino, o desejo pode nascer depois.
Querida leitora, aqui está uma das diferenças mais importantes e libertadoras de entender! No corpo feminino, muitas vezes a excitação vem antes do desejo consciente. Isso significa que o corpo começa a responder aos estímulos de toque, proximidade, carinho, sensação de segurança, e só depois o desejo aparece.
Fisiologicamente, quando a mulher se excita, ocorre:
aumento do fluxo sanguíneo nos genitais
lubrificação vaginal
expansão do canal vaginal
aumento da sensibilidade do clitóris
Essas mudanças fazem parte da fase de excitação do ciclo sexual, modelo proposto por Rosemary Basson no ano 2000. Depois vem o platô, quando a excitação se intensifica e o corpo se prepara para o orgasmo.
No orgasmo feminino, ocorrem contrações rítmicas da vagina, do útero e dos músculos do assoalho pélvico. E há uma diferença interessante: muitas mulheres não possuem um período refratário obrigatório, o que significa que podem experimentar múltiplos orgasmos.
O cérebro feminino também participa do prazer. No livro Vagina: Uma Biografia, da escritora e pesquisadora Naomi Wolf, somos convidadas a olhar para a sexualidade feminina de uma forma ainda mais profunda.
Wolf descreve como a vagina e o clitóris possuem uma rede sofisticada de conexões nervosas que se comunicam diretamente com o cérebro. Essa conexão mostra que o prazer feminino não é apenas genital — ele envolve emoções, percepção de segurança, autoestima e até criatividade.
Em outras palavras, querida leitora: o cérebro da mulher participa intensamente do desejo! Faz sentido isso para você?
Isso ajuda a explicar por que fatores como confiança, vínculo emocional, ambiente e relaxamento podem influenciar tanto a excitação feminina.
Não se trata de “complicação”. Trata-se de complexidade e sensibilidade.
Uma conclusão libertadora!
Talvez a grande questão não seja por que o desejo feminino é diferente do masculino.
Talvez a pergunta mais importante seja: por que durante tanto tempo tentaram nos convencer de que ele deveria ser igual?
O corpo da mulher não está atrasado, quebrado ou desinteressado. Ele apenas funciona em outro ritmo. Um ritmo que muitas vezes nasce da conexão, da presença e da segurança. E quando compreendemos isso, algo muito bonito acontece.
Paramos de nos comparar.Paramos de nos cobrar.E começamos, finalmente, a escutar o nosso próprio corpo.
Com carinho,para você e para o seu prazer.
Com carinho, Lu.
Encontre-a no Instagram: @luterra.terapeutasexual




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