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O desejo feminino não funciona como o masculino — e isso é uma boa notícia

  • há 5 horas
  • 3 min de leitura

Querida leitora, talvez você já tenha se perguntado por que o desejo feminino parece ter um ritmo tão diferente do masculino. A resposta não está em “falta de vontade”, “problema hormonal” ou “bloqueio emocional”. Muitas vezes, está simplesmente na forma como o corpo da mulher foi biologicamente desenhado para sentir prazer.


Então, vamos começar desmontando um mito que acompanha muitas mulheres silenciosamente: a ideia de que o desejo deveria aparecer de forma rápida, intensa e espontânea, como muitas vezes acontece com os homens.


Quando isso não acontece, algumas mulheres passam a acreditar que há algo errado com elas. Mas a verdade é que o corpo feminino possui um ritmo fisiológico diferente de excitação e desejo. E compreender isso pode trazer muito mais gentileza para a forma como você olha para si mesma.


No corpo masculino, o processo fisiológico da excitação costuma ser mais direto e rápido. Quando há estímulo visual, mental ou físico, o sistema nervoso envia sinais que aumentam o fluxo sanguíneo para o pênis, provocando a ereção. Esse processo costuma acontecer de forma relativamente linear: estímulo, excitação, orgasmo e depois uma fase de recuperação.

Essa sequência faz parte do que os estudos da sexualidade chamam de ciclo da resposta sexual, que envolve quatro etapas principais: excitação, platô, orgasmo e resolução.

No caso masculino, muitas vezes o desejo aparece primeiro. Ou seja, surge a vontade sexual e, logo em seguida, o corpo responde fisiologicamente. No corpo feminino, o desejo pode nascer depois.


Querida leitora, aqui está uma das diferenças mais importantes e libertadoras de entender! No corpo feminino, muitas vezes a excitação vem antes do desejo consciente. Isso significa que o corpo começa a responder aos estímulos de toque, proximidade, carinho, sensação de segurança, e só depois o desejo aparece. 


Fisiologicamente, quando a mulher se excita, ocorre:

  • aumento do fluxo sanguíneo nos genitais

  • lubrificação vaginal

  • expansão do canal vaginal

  • aumento da sensibilidade do clitóris


Essas mudanças fazem parte da fase de excitação do ciclo sexual, modelo proposto por Rosemary Basson no ano 2000. Depois vem o platô, quando a excitação se intensifica e o corpo se prepara para o orgasmo.


No orgasmo feminino, ocorrem contrações rítmicas da vagina, do útero e dos músculos do assoalho pélvico. E há uma diferença interessante: muitas mulheres não possuem um período refratário obrigatório, o que significa que podem experimentar múltiplos orgasmos.


O cérebro feminino também participa do prazer. No livro Vagina: Uma Biografia, da escritora e pesquisadora Naomi Wolf, somos convidadas a olhar para a sexualidade feminina de uma forma ainda mais profunda.

Wolf descreve como a vagina e o clitóris possuem uma rede sofisticada de conexões nervosas que se comunicam diretamente com o cérebro. Essa conexão mostra que o prazer feminino não é apenas genital — ele envolve emoções, percepção de segurança, autoestima e até criatividade.


Em outras palavras, querida leitora: o cérebro da mulher participa intensamente do desejo! Faz sentido isso para você?

Isso ajuda a explicar por que fatores como confiança, vínculo emocional, ambiente e relaxamento podem influenciar tanto a excitação feminina.

Não se trata de “complicação”. Trata-se de complexidade e sensibilidade.


Uma conclusão libertadora!


Talvez a grande questão não seja por que o desejo feminino é diferente do masculino.

Talvez a pergunta mais importante seja: por que durante tanto tempo tentaram nos convencer de que ele deveria ser igual?

O corpo da mulher não está atrasado, quebrado ou desinteressado. Ele apenas funciona em outro ritmo. Um ritmo que muitas vezes nasce da conexão, da presença e da segurança. E quando compreendemos isso, algo muito bonito acontece.

Paramos de nos comparar.Paramos de nos cobrar.E começamos, finalmente, a escutar o nosso próprio corpo.


Com carinho,para você e para o seu prazer.

Com carinho, Lu.

Encontre-a no Instagram: @luterra.terapeutasexual


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