Os Pais das Minhas Amigas

Estou envelhecendo, todas estamos. E, a medida em que caminho mais a fundo nesta estrada, observo as despedidas das minhas amigas, com suas singelas e emocionantes homenagens aos homens que as seguraram bebês, que as ensinaram a crescer e que agora as ensinam a amadurecer com a dor da saudade que deixarão.

Leio seus textos, observo seus vídeos e sinto, lá no fundo do meu peito, um aperto gigante. Pude acompanhar, ainda que pelas redes sociais, a relação linda que ambos construíram e a admiração explícita delas por eles. Senti o carinho nos olhos do homem de negócios ao abraçar sua pequena grande mulher, o sorriso na mesa do parabéns e os movimentos lentos no momento da dança ,naquele casamento de uma sobrinha-neta, no qual ele já mal conseguia andar direito…

Vi a vida passar por eles como mera espectadora de uma novela do horário da tarde, uma daquelas em que não nos surpreende que o final seja feliz. Mas acabei surpresa quando, finalmente, o tempo deles se encerrou por aqui. Dói na alma ver pessoas que se amam terem que se despedir, e dói ainda mais ver pessoas que combinam tanto, em tantos gostos e ideias, em tantos tons e discursos, precisarem de despedir sem uma data para se reencontrarem.

Despedidas nunca são fáceis, mas confesso que essas me tocaram de uma forma mais profunda… talvez por enxergar um pouco do meu amor pelo meu pai nas declarações delas, talvez por saber que um dia serei eu a me despedir do meu velho…

Então, tento aproveitar cada momento, cada ligação, cada risada… tento absorver ao máximo o ar perfumado com seu cheiro, o “cheiro de pai”, intenso e aconchegante. E, mesmo sabendo que esse perfume permanecerá na minha memória para sempre, quero ir ao seu encontro para senti-lo ao vivo e a cores.

Fui! (Ligar para o meu pai…)