A saúde íntima na menopausa: o que o corpo avisa
- flaviasantosalbuquerque
- 23 de jan.
- 3 min de leitura
Mulher, se você passou dos 40 e começou a perceber mudanças no seu corpo, mesmo antes da menopausa, saiba: isso não é coincidência. O corpo avisa. E avisa cedo.
Antes da última menstruação, muitas mulheres já entram em uma fase de transição chamada perimenopausa. É nesse período que a saúde íntima começa a mudar de forma silenciosa e, muitas vezes, ignorada. A menstruação ainda acontece, mas o corpo já não responde como antes. O prazer muda, a lubrificação diminui, a relação começa a incomodar, o xixi pode escapar. E, ainda assim, a mulher escuta que “está tudo normal”. Nem sempre está.
Reconhecer os sinais da perimenopausa é o primeiro passo para cuidar do corpo com consciência e evitar que desconfortos se tornem limitações.
A perimenopausa (ou climatério) começa antes do que você imagina
A perimenopausa pode iniciar anos antes da menopausa, geralmente a partir dos 40. Nesse período, os hormônios deixam de ser estáveis, especialmente o estrogênio, que passa a oscilar. Essas oscilações impactam diretamente os tecidos íntimos, a musculatura do assoalho pélvico, a sensibilidade vaginal e a resposta sexual. O corpo não entra em colapso. Ele entra em adaptação. Mas quando essa adaptação acontece sem orientação, os sintomas surgem e são interpretados como “coisa da idade”.
O que muda na saúde íntima nessa fase
Com a queda e a oscilação do estrogênio, os tecidos vaginais tendem a ficar mais finos, menos elásticos e menos hidratados. A circulação local diminui, o pH vaginal se altera e a sensibilidade pode mudar. O assoalho pélvico, que ao longo da vida sustentou gestações, partos, sobrecargas físicas e emocionais, começa a dar sinais de desequilíbrio.
Essas mudanças podem se manifestar como:
• Ressecamento vaginal
• Ardor ou desconforto durante ou após a relação
• Dor na penetração
• Diminuição do prazer sexual
• Escapes de urina aos esforços
• Sensação de peso ou frouxidão vaginal
Por que tantas mulheres ignoram os sinais do corpo
A mulher aprendeu a suportar. A minimizar o que sente. A acreditar que o desconforto faz parte do envelhecer. Além disso, a saúde íntima feminina ainda é um tema pouco falado, até mesmo dentro dos consultórios.
Muitas mulheres só procuram ajuda quando a dor já está instalada ou quando os escapes urinários começam a interferir na rotina. Mas o corpo não avisa tarde, ele avisa cedo. Falta escuta.
Na perimenopausa, o assoalho pélvico raramente está apenas fraco. Muitas vezes, ele está descoordenado, rígido ou com dificuldade de relaxar. Isso explica por que algumas mulheres sentem dor na relação mesmo sem perda de força.
Fortalecer sem consciência pode piorar sintomas. O cuidado nessa fase precisa ser direcionado, respeitando a história corporal da mulher 40+ e as mudanças hormonais em curso. O objetivo não é “apertar”. É ter um funcionamento melhor.
Sexo antes da menopausa: quando o corpo pede outro ritmo
A resposta sexual muda na perimenopausa. O corpo pode precisar de mais tempo para se excitar, mais estímulo para lubrificar, mais conexão para sentir prazer. Isso não é perda de feminilidade. É maturidade corporal. Dor não deve fazer parte da vida sexual. Prazer não tem prazo de validade.
Com informação e cuidado adequado, muitas mulheres redescobrem uma sexualidade mais consciente, segura e satisfatória nessa fase da vida.
Cuidar da saúde íntima é prevenir o sofrimento futuro
O que não é cuidado na perimenopausa tende a se intensificar após a menopausa. Por isso, esse é o momento ideal para olhar para a saúde íntima com atenção.
A fisioterapia pélvica atua diretamente nesse processo, ajudando a mulher a:
• Reconhecer e reorganizar o assoalho pélvico
• Reduzir dores íntimas
• Melhorar a função urinária
• Recuperar confiança no próprio corpo
• Prevenir disfunções futuras
Quando a mulher entende o corpo, ela se fortalece
A perimenopausa não é o início do fim. É uma fase de transição que pede mais escuta, mais informação e menos julgamento. O corpo da mulher 40+ não está falhando. Ele está avisando. E quando a mulher aprende a ouvir esses avisos, ela deixa de lutar contra o próprio corpo e passa a cuidar dele.
Mirella Bravo para a coluna Saúde Íntima
Encontre-a no Instagram @mirellabravofisio










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