Seu períneo na gestação importa!
- flaviasantosalbuquerque
- 19 de jul.
- 3 min de leitura
Mulher, você já parou para pensar em como está o seu períneo? Sim, a musculatura esquecida que sustenta seu bebê, facilita seu parto, sua recuperação e o seu prazer. E tem mais impacto na sua gestação e no seu parto do que você imagina.
Enquanto sua barriga cresce, seu corpo se adapta, e as emoções se misturam, existe uma musculatura lá embaixo sustentando tudo: o útero, a bexiga, o intestino e também a sua confiança. É o assoalho pélvico (períneo) que vai influenciar no jeito que seu bebê nasce, no risco de laceração, na sua recuperação pós-parto e até no prazer que você sente (ou deixou de sentir).
E a verdade é que o períneo não se prepara sozinho. Ele precisa de consciência, técnica e cuidado. Se você nunca olhou com atenção para ele, esse é o momento.
O que é períneo e por que ele importa tanto na gravidez?
O períneo faz parte do assoalho pélvico, um conjunto de músculos, ligamentos e fáscias que fecham a base da pelve. Ele sustenta órgãos como útero, bexiga e intestino, e atua em funções vitais: micção, evacuação, função sexual, estabilização postural e suporte visceral.
Durante a gestação, esse sistema é profundamente impactado:
O útero cresce e o peso sobre o períneo pode ultrapassar 5 kg;
A ação da relaxina e da progesterona leva a um afrouxamento ligamentar global (Guthrie et al., 2005);
O aumento da pressão intra-abdominal e as alterações posturais aumentam a sobrecarga pélvica;
Até 58% das gestantes relatam perdas urinárias ao longo da gravidez (Mørkved & Bo, 2014).
Com a fisioterapia pélvica, é possível prevenir disfunções e preparar essa musculatura para um parto mais funcional e uma recuperação mais rápida.
Preparo para o parto: períneo treinado, laceração evitada
Um períneo que consegue se expandir, coordenar com a respiração e relaxar no tempo certo oferece menos resistência à passagem do bebê e menor risco de trauma. E isso não é só percepção clínica, é ciência.
A massagem perineal a partir da 34ª semana, feita com orientação profissional, reduz o risco de laceração grave e episiotomia em primíparas (Beckmann & Garrett, 2006 – Cochrane Review). Já os exercícios de consciência perineal e mobilidade pélvica melhoram o posicionamento fetal e facilitam o trabalho de parto (Thompson et al., 2015).
O preparo perineal completo envolve:
Avaliação do tônus, da força e da coordenação do períneo;
Exercícios respiratórios e de consciência corporal; Mobilidade da pelve (oscilação, rotação, inclinação);
Treino funcional com posições de parto e estratégias para “expulsar” o bebê;
Massagem perineal supervisionada e orientada.
Mais do que “fortalecer”, o objetivo é treinar a função e a resposta do períneo ao estiramento natural do parto.
Pós-parto: e agora, quem cuida do seu períneo?
Você passou pelo parto. Agora o corpo precisa se reorganizar e o períneo também. Ainda assim, poucas mulheres recebem suporte adequado para essa fase. Muitas convivem com:
Incontinência urinária ou fecal;
Sensação de peso ou abaulamento vaginal (sinal de prolapso);
Dor durante a relação sexual (dispareunia);
Dificuldade de ativar o abdômen e sustentar a postura;
“Barriguinha” persistente (frequentemente associada à diástase abdominal e à incoordenação abdominal-pélvica).
Tudo isso pode ser tratado. Mas o tempo passa e o que deveria ser provisório, se torna crônico. Estudos mostram que a fisioterapia pélvica no pós-parto melhora significativamente a função muscular, reduz sintomas e acelera o retorno da mulher à sua rotina com segurança.
Cesárea não “poupa” o períneo
Essa é uma dúvida comum no consultório. Mas a verdade é que todas as gestantes, independente da via de parto, precisam de atenção ao períneo.
Na cesárea:
O peso da gestação sobrecarrega o assoalho pélvico;
A cicatriz pode gerar aderências e desequilíbrio postural;
Muitas mulheres apresentam dor pélvica, escape de urina ou sensação de fraqueza abdominal.
A fisioterapia atua com liberação de aderências, reequilíbrio tônico da pelve e integração entre abdômen e períneo.
Reabilitação passo a passo: como a fisio pélvica atua no pós-parto
Cada corpo tem seu tempo. Mas existe um caminho técnico para a reabilitação do períneo:
Avaliação individualizada (força, tônus, coordenação, cicatriz, dor);
Exercícios de ativação leve e reconexão;
Reeducação da função abdominal-pélvica;
Treinamento evolutivo de força e resistência;
Orientações sobre retorno à vida sexual e exercícios físicos.
O foco não é só “voltar ao normal”. É recuperar a função com mais consciência e confiança.
Cuidar do períneo é cuidar da mulher que você é
O seu períneo guarda mais do que músculos. Guarda a memória do parto, do prazer, do medo, da força que você nem sabia que tinha. E quando ele é cuidado com técnica, escuta e tempo, ele devolve algo precioso: autonomia.
A fisioterapia pélvica é, sim, uma área técnica. Mas também é sobre sentir. Sobre estar presente no seu próprio corpo. E isso, nenhuma estatística consegue medir.
Mirella Bravo para a coluna Saúde Íntima
Encontre-a no Instagram: @mirellabravofisio










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