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Seu períneo na gestação importa!

Mulher, você já parou para pensar em como está o seu períneo? Sim, a musculatura esquecida que sustenta seu bebê, facilita seu parto, sua recuperação e o seu prazer. E tem mais impacto na sua gestação e no seu parto do que você imagina.

Enquanto sua barriga cresce, seu corpo se adapta, e as emoções se misturam, existe uma musculatura lá embaixo sustentando tudo: o útero, a bexiga, o intestino e também a sua confiança. É o assoalho pélvico (períneo) que vai influenciar no jeito que seu bebê nasce, no risco de laceração, na sua recuperação pós-parto e até no prazer que você sente (ou deixou de sentir).

E a verdade é que o períneo não se prepara sozinho. Ele precisa de consciência, técnica e cuidado. Se você nunca olhou com atenção para ele, esse é o momento.

O que é períneo e por que ele importa tanto na gravidez?

O períneo faz parte do assoalho pélvico, um conjunto de músculos, ligamentos e fáscias que fecham a base da pelve. Ele sustenta órgãos como útero, bexiga e intestino, e atua em funções vitais: micção, evacuação, função sexual, estabilização postural e suporte visceral.

Durante a gestação, esse sistema é profundamente impactado:


  • O útero cresce e o peso sobre o períneo pode ultrapassar 5 kg;

  • A ação da relaxina e da progesterona leva a um afrouxamento ligamentar global (Guthrie et al., 2005);

  • O aumento da pressão intra-abdominal e as alterações posturais aumentam a sobrecarga pélvica;

  • Até 58% das gestantes relatam perdas urinárias ao longo da gravidez (Mørkved & Bo, 2014).

Com a fisioterapia pélvica, é possível prevenir disfunções e preparar essa musculatura para um parto mais funcional e uma recuperação mais rápida.

Preparo para o parto: períneo treinado, laceração evitada

Um períneo que consegue se expandir, coordenar com a respiração e relaxar no tempo certo oferece menos resistência à passagem do bebê e menor risco de trauma. E isso não é só percepção clínica, é ciência.


A massagem perineal a partir da 34ª semana, feita com orientação profissional, reduz o risco de laceração grave e episiotomia em primíparas (Beckmann & Garrett, 2006 – Cochrane Review). Já os exercícios de consciência perineal e mobilidade pélvica melhoram o posicionamento fetal e facilitam o trabalho de parto (Thompson et al., 2015).


O preparo perineal completo envolve:

  • Avaliação do tônus, da força e da coordenação do períneo;

  • Exercícios respiratórios e de consciência corporal; Mobilidade da pelve (oscilação, rotação, inclinação);

  • Treino funcional com posições de parto e estratégias para “expulsar” o bebê;

  • Massagem perineal supervisionada e orientada.


Mais do que “fortalecer”, o objetivo é treinar a função e a resposta do períneo ao estiramento natural do parto.

Pós-parto: e agora, quem cuida do seu períneo?

Você passou pelo parto. Agora o corpo precisa se reorganizar e o períneo também. Ainda assim, poucas mulheres recebem suporte adequado para essa fase. Muitas convivem com:

  • Incontinência urinária ou fecal;

  • Sensação de peso ou abaulamento vaginal (sinal de prolapso);

  • Dor durante a relação sexual (dispareunia);

  • Dificuldade de ativar o abdômen e sustentar a postura;

  • “Barriguinha” persistente (frequentemente associada à diástase abdominal e à incoordenação abdominal-pélvica).


Tudo isso pode ser tratado. Mas o tempo passa e o que deveria ser provisório, se torna crônico. Estudos mostram que a fisioterapia pélvica no pós-parto melhora significativamente a função muscular, reduz sintomas e acelera o retorno da mulher à sua rotina com segurança.

Cesárea não “poupa” o períneo

Essa é uma dúvida comum no consultório. Mas a verdade é que todas as gestantes, independente da via de parto, precisam de atenção ao períneo.

Na cesárea:


  • O peso da gestação sobrecarrega o assoalho pélvico;

  • A cicatriz pode gerar aderências e desequilíbrio postural;

  • Muitas mulheres apresentam dor pélvica, escape de urina ou sensação de fraqueza abdominal.


A fisioterapia atua com liberação de aderências, reequilíbrio tônico da pelve e integração entre abdômen e períneo.

Reabilitação passo a passo: como a fisio pélvica atua no pós-parto

Cada corpo tem seu tempo. Mas existe um caminho técnico para a reabilitação do períneo:

  • Avaliação individualizada (força, tônus, coordenação, cicatriz, dor);

  • Exercícios de ativação leve e reconexão;

  • Reeducação da função abdominal-pélvica;

  • Treinamento evolutivo de força e resistência;

  • Orientações sobre retorno à vida sexual e exercícios físicos.


O foco não é só “voltar ao normal”. É recuperar a função com mais consciência e confiança.

Cuidar do períneo é cuidar da mulher que você é

O seu períneo guarda mais do que músculos. Guarda a memória do parto, do prazer, do medo, da força que você nem sabia que tinha. E quando ele é cuidado com técnica, escuta e tempo, ele devolve algo precioso: autonomia.

A fisioterapia pélvica é, sim, uma área técnica. Mas também é sobre sentir. Sobre estar presente no seu próprio corpo. E isso, nenhuma estatística consegue medir.


Mirella Bravo para a coluna Saúde Íntima

Encontre-a no Instagram: @mirellabravofisio

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