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Ser mãe e esposa – e seguir inteira

Amar alguém quando se é mãe nunca é simples. Ainda mais quando aquele que está ao nosso lado não é o pai do nosso filho. Não se trata de falta de amor, nem do parceiro, nem da mãe. Trata-se de espaço. Lugar. Vínculo.


Meu filho já é um homem. Tem quase 19. Tem seu pai presente, tem sua vida em movimento, suas escolhas, sua autonomia. Mas ainda é, para mim, meu menino. Porque a maternidade não tem ponto final. Mesmo quando os filhos crescem, uma parte nossa continua em estado de vigília, cuidado e entrega. 


E é aí que a coisa complica. Porque enquanto ele cresce, vive, erra e acerta, eu também sigo sendo outra: mulher, profissional, esposa. E às vezes, me percebo tentando equilibrar dois mundos que não se cruzam com naturalidade: o da mãe que continua pulsando em mim, e o da mulher que deseja amar e ser amada por um homem que não compartilha essa história comigo por mais incrível que ele seja.


Ele não é o pai do meu filho. E nunca precisei ou esperei que fosse. Essa conta já tem quem assuma. Mas há momentos em que o silêncio entre eles pesa e me causa um incômodo doloroso. E é nesse ponto que eu, mulher, me sinto no meio: entre dois afetos legítimos que pouco falam. Entre o amor que me escolheu e o amor que me moldou.


Eu acredito que toda mãe que vive essa situação gostaria que enxergassem que seu papel de mãe não se desliga na tomada mesmo quando o casal está a sós, que não tem como se dividir em duas (ou mãe ou mulher), na teoria pode funcionar, mas na prática a coisa é bem diferente.  Não é fácil para mim, nem para ele, nem para meu filho. 


Sinto culpa, mesmo sabendo que não deveria. Tento agradar todos os lados e com isso me desgasto. Tento equilibrar os pratos, mesmo sabendo que é impossível.  O que eu gostaria, no fundo, é nunca precisar escolher.  Eu gostaria que os dois amores pudessem conviver dentro de mim sem me sentir em dívida com nenhum deles.

Porque o coração de uma mulher que é mãe e que ama de novo é assim: feito casa com mais de um cômodo. Cabe mais gente, mas precisa que todos tirem os sapatos para entrar.


Ive Bueno para a coluna Universo Feminino

Encontre-a no Instagram: @euivebueno

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