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Juntas somos muito mais fortes



Gostaria de compartilhar com vocês uma historinha super organizada e planejada sobre como cheguei até aqui, mas não foi nada disso que aconteceu, e não posso mentir.


Aos 14 anos de idade fui à uma taróloga, Dona Dinorah, escondido da minha mãe, e ela fez algumas previsões impossíveis naquele momento. Disse que eu me casaria aos 19 anos, teria dois ou tres filhos, e disse também que me um dia falaria para muitas pessoas, mas que para isso teria que correr atrás de estudar o que eu havia ignorado por muitos anos.


Como assim? Eu sou super tímida! Impossível!


Eu saí de lá arrependida de ter corrido o risco de ser pega na mentira por escutar aquele monte de baboseiras. Meu futuro estava certo, eu me tornaria uma grande executiva de uma multinacional, e me casaria depois dos 30. Dei de ombros e me esqueci do assunto, como qualquer adolescente com algum juízo faria.


Aos 17 entrei na faculdade de administração com ênfase em comercio exterior e vislumbrei uma carreira longa e ascendente no meu futuro próximo.

Meses depois de fazer 19 anos, numa noite de sexta feira, indo para a Lime Light, uma balada famosa dos anos 90 em São Paulo, conheci um carinha de um carro para o outro, sabe aquela paquera tipo “abre o vidro” (naquela época podíamos baixar os vidros sem temermos ser assaltadas). Encurtando a historia, uma semana depois começamos a namorar, em um mês ele me pediu em casamento, um mês depois eu aceitei, e em menos de seis meses de termos nos conhecido, estávamos subindo ao altar. Por que? Sei lá! Paixão, vontade de sair de casa? Pressa em começar a vida adulta? Talvez todas as respostas sejam válidas. Eu sei que dois anos mais tarde tive meu primeiro filho, Felipe e antes dos 30 era mãe de três crianças e tinha abandonado completamente minha vida profissional.


Por que eu estou te contando isso? Porque eu quero que você saiba que sim, é possível e viável a gente recomeçar, em qualquer tempo, a qualquer hora, quando abrimos o coração e nos trabalhamos para nos conhecermos, focamos e nos dedicamos a nos priorizar sem culpa, a gente encontra espaço para nos amar e para construir algo muito positivo, do qual nos orgulhamos e pelo qual somos respeitadas, sem ter que sentir um caminhão de culpa ou abrir mão de sermos amadas e exercermos a maternidade, mas sem idealizações, não estou contando a história de uma família margarina, estou compartilhando com vocês um caminho, singular, verdadeiro, de uma pessoa que vem superando os desafios e agradecendo os aprendizados.


Aos trinta eu sabia que o que eu tinha de melhor a compartilhar com a humanidade era o meu bom senso, minha intuição, e o desejo de ver todas as mulheres do mundo vivendo em paz com elas mesmas, prosperando, abrindo mão de culpas, enxergando com clareza os embustes que aparecem, e por fim mas não menos importante, aprendendo a dizer não.


E foi aí que a Dona Dinorah acertou de novo. Para viver meu propósito tive que voltar a estudar, e estudar muito, compensar o tempo “perdido” (entre aspas porque não acredito que tempo algum seja perdido nessa vida, mas isso fica para outro dia), e amealhar muitas ferramentas, que juntas me ajudassem a ajudar outras mulheres, para que elas também pudessem transformar as dores das suas almas em força, e se tornassem exemplos de uma vida sem comparação, mas com uma história contada com orgulho pelo coração aberto.


Abri meu consultório de psicanálise e dediquei horas da minha semana ao Instagram, onde eu podia compartilhar amor em forma de conhecimento para um numero maior de pessoas do que eu seria capaz na minha agenda tradicional, atendendo presencialmente um numero muito limitado de pessoas. Dentro de mim sempre habitou um desejo, na verdade, uma certeza de que eu precisava encontrar formas de tocar ainda mais corações, e para isso precisaria encontrar canais onde eu pudesse compartilhar as verdades que curam a alma feminina para milhares de pessoas ( e não é que a danada da D. Dinorah tinha acertado de novo). As dores da alma feminina não têm limites, e precisamos de um mundo onde todas as pessoas que abraçam essa causa, falem em megafones, para milhares de pessoas, que acolham a todas as mulheres que tanto precisam de ajuda, da forma que for, do jeito que der. Ao abrir meu coração muitos convites vem surgindo, “caindo do céu” como anjos que abençoam uma missão. E assim foi também com a Maria Scarlet. Conheci a Cris Coelho sem saber quem ela era, o que ela fazia, num grupo de whats, a partir daquele encontro frugal, passamos a nos seguir no Instagram e a nos admirar mutuamente. O desejo de fazermos algo juntas seguia semeado em segredo, mas os corações abertos e com um propósito altruísta dão um jeitinho de se materializarem, o que algumas pessoas chamam de coincidências, eu chamo de certezas.


Nem tudo na vida segue o script que planejamos. Nem tudo faz sentido o tempo todo. A grande verdade é que tudo que tentamos controlar materialmente, nos escorre pelos dedos como água, e só nos resta de verdade a confiança em nós mesmas, e em um Universo que sabe orquestrar exatamente aquilo que está alinhado com a nossa verdade e com a nossa trajetória e caminho. E quando eu digo nossa, não se iluda, isso funciona de forma complexa, atendendo às necessidades de todos os seres humanos, em nível consciente e inconsciente ao mesmo tempo e em todo tempo lugar. Sim, eu sei, parece loucura, mas eu vivi anos demais e testemunhei vidas demais para não acreditar na sincronicidade da vida e acreditar em coincidências.


E aqui estou, feliz em estar aqui, de coração aberto e alegre em poder me conectar com cada uma de vocês, mulheres maravilhosas dessa comunidade poderosa.

Juntas somos muito mais fortes sempre. Contem comigo!


Fabi Guntovitch para a Revista MS

Disponível nas colunas:

Universo feminino


Encontre-a no Instagram: @fabianaguntovitch

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