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Manhattan 507




Danço com meu corpo quase nu na sala a medida que o céu escurece em

uma fome de mim.

Coreografia de um corpo livre, sem compromisso com perfeição, pés que daçam firmes,

braços, tronco fluindo em um não saber, somente ser.

Lá fora a vida começa a acontecer, barulhos, bares, ruídos vindos de toda a parte.

Mas me perco de novo com a música que vem da porta ao lado da minha, me soa

famíliar, sinto gosto de casa ao ouvir Bebel Gilberto em plena Manhattan.

Duas vozes femininas ao fundo me geram ainda mais curiosidade, tento um quase

flutuar para ouvir suas gargalhadas e deixo minha porta entre aberta, quando vejo a

delas completamente aberta, quase como um convite.

Fiquei parada ali, embasbacada com medo de ser vista enquanto tomava meu leite,

quando uma mulher de cabelos curtos, aparece no corredor levando algumas garrafas

de cerveja à lixeira que fica ao lado da minha porta, tempo o suficiente para eu poder

perceber sua boca e tom dourado de sua pele, vestido curto que se confundia com

uma camisola de seda, nossos olhares se misturam e no tremor de minhas mãos

derrubo o leite pelas minhas coxas até meus pés, paraliso ali...já ela, não.

Vem, a porta estava aberta a tua espera!

Sorrio, com um sorriso de quem ainda não conhece aquela dança, mas quer.

Entrei, com minhas pernas ainda meladas e vestindo apenas uma camiseta velha e um

coque alto no cabelo, nem lembrei de tirar meus óculos.

Apartamento vazio, a música ecoava pelas paredes, apenas com uma grande mesa de

madeira e algumas almofadas enormes jogadas ao chão, paredes todas pintadas com

palavras de amor.

Me permiti sentir, não adiantava segurar.

Senti que ali a presa seria eu, uma loucura entre o medo e o estar viva, observando

aquelas duas mulheres feito deusas profanas, sentindo no ar o cheiro do sexo delas

feito éter.

Então, um beijo de lábios moles e molhados, ao mesmo tempo nossas pernas se

entrelaçam e meu corpo inteiro lateja, sentindo minha calcinha pingar.

As duas me lambiam entre as pernas, buceta, barriga feito bicho, feito terra me

revirando do avesso.

Seus corpos se movimentavam em curvas como serpentes, quando uma delas morde

meu clitóris e a outra lambe meu peito enfiando seu dedo em minha boca.

A de cabelos longos feito um véu e curvas vastas tira uma mecha do rosto e sorri!

Já? segura mais um pouco, disse ela pedindo que segurasse meu gozo por mais alguns

instantes.

Me deitam, então, sobre a mesa como se eu fosse ser servida viva, segurando meus

punhos e enquanto a outra me chupava inteira.

Estou ali como quem quer aprender tudo de novo, sentindo a temperatura quente de nós

três, a gente não cansava nunca, nem descansava, era um jogo selvagem e voraz.

Era uma doce orgia de palavras, corpos e risadas. Me dando a sensação que era uma

roupa que me cabia.

Então, eu gozo como quem arranca pedaço, estremecendo, perdendo as forças de

minhas profundezas, desfaleço ali enquanto as vejo transar com seus corpos nus em

ondas como se estivessem no meio do mar, das cenas mais bonitas de se viver.


Gabriela Prux para a coluna Papo de Bordel

Encontre-a no Instagram: @gabiprux

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